segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Como o açúcar afeta o cérebro

Quando comemos algo com açúcar, nosso paladar, intestino e cérebro tomam conhecimento que estão recebendo uma dose da substância.
Como o açúcar afeta o cérebro
O que poucos sabem, é que esta ativação do sistema, ocorre da mesma forma que nosso corpo processa informações de substâncias perigosas que causam dependência, como álcool, nicotina e drogas. O que acontece é que uma sobrecarga de açúcar aumenta os níveis de dopamina e nos faz querer comer mais doces.
No vídeo abaixo, Nicole Avena explica porque os doces e guloseimas devem ser apreciados com moderação. Ative a legenda e assista:
Claro que é quase impossível eliminar todo o açúcar da nossa vida. Mas é possível reeducar-se para experimentar novos sabores e diminuir, consideravelmente, a dose ingerida por dia. Experimente, por exemplo, tomar sucos sem açúcar. Provar o real sabor dos alimentos é importante e, à partir do primeiro passo, torna-se um desafio para que você crie hábitos mais saudáveis e menos agressivos ao seu corpo.
Desafie-se! Quanto menos açúcar, melhor : )
[Crédito de Imagem: youtube]

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O guia definitivo dos temperos

temperos-peqA falta de tempo em decorrência de uma rotina atribulada, a praticidade dos deliveries e o aumento de oferta dos congelados são alguns dos fatores pelos quais cozinhamos cada dia menos. Salvo algumas exceções, é difícil pilotar o fogão para preparar refeições em casa. Então a gente faz almoços ou jantares naquelas ocasiões especiais – quando se recebe visitas especiais, em datas comemorativas…
O pouco entrosamento com as panelas, porém, gera algumas dúvidas. Sem o livro de receitas da vovó para consultar, é difícil saber qual tempero usar no preparo de cada prato. E na garantia de uma refeição inesquecível, eles são protagonistas: adicionam sabor, cheiro e cor aos comes, fazendo com que um simples arroz com frango e saladinha se tornem inesquecíveis.
Para fazer bonito na próxima vez que for cozinhar, montamos um guia de temperos, ensinando como misturá-los com carnes, frutas, legumes e verduras, a qual recorrer no preparo de cada prato e como combiná-los entre si. Confira:
acafrao-alecrimAçafrão da Terra
Sabor: apimentado e amargo
Combina com: batata, batata-doce, couve-flor e repolho
Combina com as proteínas: feijão, frango, peixe, lentilha e tofu
Ideal para fazer: arroz e curry
Combina com os temperos: alho e cardamomo
Alecrim
Sabor: terroso
Combina com: batata, ervilha, cebola e cogumelo
Combina com as proteínas: cordeiro, feijão, frango, peixe e porco
Ideal para fazer: marinados
Combina com os temperos: alho, manjericão e tomilho
canela-cardamomoCanela
Sabor: doce e terroso
Combina com: abóbora, batata-doce, cenoura, maçã e pera
Combina com as proteínas: cordeiro e frango
Ideal para fazer: molho para frutas, pão e sobremesas
Combina com os temperos: cravo, noz moscada e pimenta-da-jamaica
Cardamomo
Sabor: doce
Combina com: abóbora, batata-doce, cenoura, ervilha e milho
Combina com as proteínas: frango, lentilha, pato e porco
Ideal para fazer: arroz e curry
Combina com os temperos: açafrão-da-terra, canela, cominho e gengibre
coentro-cravoCoentro
Sabor: apimentado e terroso
Combina com: batata, cebola, pimentão e tomate
Combina com as proteínas: carne bovina, frango, peixe, porco e tofu
Ideal para fazer: curry, marinados, molhos em geral, recheios e mix de temperos
Combina com os temperos: canela, chili e cominho
Cravo
Sabor: doce e terroso
Combina com: abóbora, batata-doce, maçã, rabanete e tomate
Combina com a proteína: cordeiro
Ideal para fazer: curry, marinados, pão, sobremesas e sopa
Combina com os temperos: canela, manjericão, noz moscada e pimenta-da-jamaica
louro-manjericaoLouro
Sabor: amargo
Combina com: batata, cogumelo e tomate
Combina com as proteínas: feijão, frutos do mar e lentilha
Ideal para fazer: risoto e sopa
Combina com os temperos: manjerona, orégano, sálvia e tomilho
Manjericão
Sabor: doce
Combina com: abobrinha, batata, berinjela, pimentão e tomate
Combina com as proteínas: frango, quejo, peixe e porco
Ideal para fazer: marinados, molho de salada, molhos em geral e mix de temperos
Combina com os temperos: alecrim, alho, orégano, manjerona e tomilho
noz-moscada-oreganoNoz Moscada
Sabor: doce
Combina com: abóbora, batata-doce, brócolis, cenoura, couve flor e repolho
Combina com as proteínas: cordeiro
Ideal para fazer: arroz, molhos em geral e recheios
Combina com os temperos: cravo e pimenta-da-jamaica
Orégano
Sabor: terroso
Combina com: abobrinha, alcachofra, batata, cogumelo, pimentão e tomate
Combina com as proteínas: cordeiro, feijão, frango, peixe e porco
Ideal para fazer: marinados, molho de salada, molho de tomate, sopa e mix de temperos
Combina com os temperos: chili, louro e tomilho
paprica-pimenta-caienaPáprica
Sabor: doce e quente
Combina com: abóbora, batata, brócolis, couve-flor e pimentão
Combina com as proteínas: cordeiro, frango, frutos do mar e tofu
Ideal para fazer: arroz, marinados, molhos de salada e sopa
Combina com os temperos: alho, canela, cardamomo, cominho e chili.
Pimenta Caiena
Sabor: apimentado
Combina com: abobrinha, batata, berinjela, milho, pimentão e tomate
Combina com as proteínas: carne bovina, frango e peixe
Ideal para fazer: arroz, marinados, molhos em geral e sopa
Combina com os temperos: canela, cominho e páprica
pimenta-da-jamaica-tomilhoPimenta da Jamaica
Sabor: doce e terroso
Combina com: abóbora, batata-doce, beterraba, cenoura, maçã, nabo e repolho
Combina com as proteínas: carne bovina e cordeiro
Ideal para fazer: pão, sobremesa e sopa
Combina com os temperos: canela, cardamomo, cravo, gengibre, noz moscada e mace
Tomilho
Sabor: terroso
Combina com: abobrinha, cenoura, couve-flor, ervilha, feijão verde e tomate
Combina com as proteínas: carne bovina, cordeiro, lentilha, peixe e porco
Ideal para fazer: marinados, molho de salada, sopa e mix de temperos
Combina com os temperos: alecrim e orégano
temperos-1

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Pequeno guia sobre pimentas

No melhor estilo casa de ferreiro, já não era sem tempo de ter um post inteiro dedicado a pimentas por aqui, afinal de contas esse é o meu grande ingrediente, o que nunca falta em casa e que virou até apelido, já que muita gente me conhece por pimenta ou pimentinha!
Todo mundo sabe que sou maluca por pimenta, que não vivo sem. Mais que um condimento, pra mim, pimenta é um estado de espírito, já que a vida pede tempero, picância e calor, não dá pra ser insossa.
2-pimentas-capsicum-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)
E quando o assunto é pimenta, eu gosto de começar contando que é um ingrediente puro sangue latino. Isso mesmo, a pimenta é originária do alto Peru/Bolívia e — como outros ingredientes latinos ilustres (tomate, batata, cacau, milho, entre outros) — também correu mundo e conquistou o paladar e o coração das pessoas. É maluco pensar que, em menos de 500 anos (se levarmos em conta a chegada de Colombo por aqui), a pimenta tenha sido um ingrediente tão difundido e usado a ponto de se tornar, em alguns lugares, a característica da comida local. Já pensou na comidas thai, coreana ou indiana sem pimenta? Estranho, né? mas era assim há 500 anos; fora a pimenta-preta, de origem indiana, nada de pimenta.
E a história fica ainda mais interessante se a gente pensar que tanto os espanhóis como os portugueses bateram aqui justamente em busca de uma rota mais fácil para chegar a essa outra pimenta, a preta (Piper nigrum), que junto com as demais especiarias indianas agia como conservante e ainda ajudava a encobrir sabores desagradáveis em alimentos já perecidos. Você aí, que nasceu na era da eletricidade, não imagina o problema que era estocar comida sem geladeira. Para preservação dos alimentos eram usados processos de cura com sal e/ou especiarias (além de outras técnicas como defumação, etc.), daí a importância e o valor desses ingredientes,cuja busca acabou por impulsionar as grandes navegações.
E chegando aqui, em busca das Índias e de suas especiarias, encontraram a pimenta fruto − o Ají (vem do termo taíno haxi; taíno era a língua falada pelos primeiros povos caribenhos onde desembarcou Colombo) −, que tal como a pimenta-preta, também ardia, e também era usada como conservante de alimentos; e logo foi incorporada à comida das colônias, pra então ganhar o mundo.

Muito prazer, capsaicina!

O principio ativo da pimenta é a capsaicina, é ela que faz com que o fruto seja ardido.
A capsaicina está concentrada principalmente no tecido placentário do fruto, a placenta da pimenta, que é aquela membrana de coloração mais clara que une as sementes à polpa. O miolo ou o coração do fruto, por estar coberto por esse tecido, é o local onde a picância chega à maior potência. Para saber, portanto, se um fruto “pica”: parta-o ao meio e passe o dedo pelo miolo antes de experimentar.
E é por conta das sementes estarem grudadas na placenta que muita gente acha que são elas que ardem na pimenta, mas basta abrir o fruto no sentido do comprimento e remover a placenta com uma faca afiada − com o cuidado de não esfregar a membrana contra a polpa − para retirar a maior parte da picância.

capsicum-anatomia-da-pimenta-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)
A grande peculiaridade da capsaicina é que, ao contrário do que se pensa, ela não é detectada por nenhuma papila gustativa, e age no cérebro quando entra em contato com qualquer membrana do nosso corpo. É um estímulo de dor direto no cérebro, que é onde você sente a picância.
O que a pimenta faz quando entra em contato com a sua pele (ou com a mucosa da sua boca e não as papilas) éenviar ao seu cérebro uma mensagem de que aquela parte do seu corpo está ardendo, como se estivesse pegando fogo. A partir daí, duas coisas boas acontecem:
1- Depois de um tempo em contato com a pele, a capsaicina esgota os neurotransmissores dos receptores de dor e, além de cessar a picância, passa a ter um efeito anestésico local; e por conta dessa característica é usada em tratamento de neuropatias como a diábetica.
2- O cérebro, por sua vez, derrama doses generosas de endorfina para aliviar a sua dor, e taí a razão pela qual tanta gente (como eu!) ama pimenta, a danadinha “vicia”: pois junto com a endorfina vem uma deliciosa sensação de bem estar. E também é por conta dessa dose generosa de endorfina que pimenta tem efeito analgésico e ajuda a aliviar a dor. É um santo remédio pra enxaqueca; experimenta um curry thai carregado na pimenta pra acabar com aquela dor de cabeça, resultado de um dia exaustivo de trabalho, vai por mim, já testei e funciona mesmo!
A grande prova de a capsaicina agir no cérebro é o fato de que ela queima a pele das mãos quando manipulamos pimenta, então essa é uma importante dica pra quem vai prepará-las: cuidado aonde colocar as mãos depois de manipulá-las, e use sempre luvas!

Água, só se for com açúcar!

Isso mesmo, ardeu!? … não adianta tomar nem passar água. A não ser que você adicione muito açúcar, água não adianta nada.
Isso porque a capsaicina não é solúvel em água e sim em óleo (lipossolúvel); então, para aliviar o ardor omelhor é tomar leite (rico em gordura). Não por acaso, na Índia toma-se uma série de bebidinhas com coalhada (os lassis) para limpar o paladar e minimizar os efeitos da pimenta. Tomar uma colherzinha de azeite ajuda; pão e farinha também são eficientes. E caso queime as mãos na manipulação, o ideal é lavar com sabão e passar um creme hidratante sem alcóol ou passar óleo.

Passarinhos

Os melhores amigos das pimentas são os passarinhos.
2-capsicum-pimentas-passarinho-agricultor-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)
São eles os maiores responsáveis pela aspersão das sementes, uma vez que não sentem a picância e ingerem, portanto, muitos frutos e sementes inteiras, que passam por seu aparelho digestivo e continuam aptas a germinar. O mesmo não acontece com os mamíferos, donos de molares que trituram as sementes. Uma das teses da presença de capsaicina e da picância na pimenta (além da ação antifúgica que protege a planta) seria justamente afastar os mamíferos com seus molares destruidores, e assim perpetuar a espécie, gerando novas plantas.
Passarinho e pimenta formam uma grande dupla na natureza, não por acaso, os Baniwa, também conhecidos como o povo da pimenta, sempre deixam alguns frutos nos pés para os passarinhos semearem, e assim garantem a perpetuação da produção.

Gênero e espécies

2-capsicum-rainbow-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)
A pimenta pertence ao gênero Capsicum, que faz parte da família das Solanaceas, que são quase os Silva dos vegetais, já que cerca de 97 gêneros de plantas integram a família, entre elas: a batata, o tomate, a berinjela, o jiló, o tabaco, a physalis, e a lista segue extensa. Outra curiosidade: a maior parte delas é originária das Américas do Sul e Central; tudo primo, tudo gostoso, tudo buena gente, buena onda! :)
O gênero Capscium tem diversas espécies, as mais conhecidas são as baccatumfrutescensannuum echinense. Um problema que a gente encontra quando vai separar as variedades de cada espécie são os diferentes nomes que recebem de país pra país e de região pra região em um mesmo país, como é o caso do Brasil.
  • C. baccatum

É a espécie da variedade mais usada no Brasil, a dedo-de-moça, e também no Peru, o Ají Amarillo, ambaspendulum, que também inclui a pimenta cambuci ou chapéu de padre, sem picância. A variedadepraetermissum, da cumari verdadeira, é exclusiva do Brasil.
As variedades dessa espécie têm picância relativamente baixa e sabor “neutro” (remete ao pimentão, sem notas frutadas).
capsicum-baccatum-dedo-de-moca-e-aji-amarillo-e-cumari-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)
  • C. frutescens

Malagueta, piri-piri, tabasco, pipi de mono, olho de passarinho são representantes dessa espécie, a que tem menor variação morfológica, os frutos são sempre parecidos, com variação apenas de tamanho.
Têm picância média e sabor “neutro” como a baccatum.
capsicum-frutescens-pimenta-malagueta-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)
  • C. annuum

É a espécie mais conhecida e difundida no mundo, uma vez que os pimentões (chile poblano) fazem parte dela. O jalapeño também é um representante da espécie, e tanto ele como o pimentão são ótimos para serem feitos recheados.
Os frutos dessa espécie têm baixa picância e sabor neutro.
capsicum-annuum-pimenta-jalapeno-e-pimentoes-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)
  • C. chinense

É minha espécie favorita, por conta do sabor intenso e frutado que em algumas variedades remetem à pitanga.Todas são perfumadas e, devido a essa característica, muitas delas recebem a alcunha “de-cheiro”; de fato, além da picância, elas conferem muito aroma ao prato.
Não por acaso, a minha pimenta mais querida, a bodinha (que na minha opinião caracteriza o perfil de sabor da comida goiana), faz parte da turma chinense. Aliás, adoro o time todo, começando pela linda e elegante fidalga estrelinha da comida paraense; a murupi, também amada no Norte, e que parece uma lagarta; a exuberantelanterna amarela e a vermelha (que não tem na foto mas é linda!); e ainda, a sugestiva arriba saia, queridinha no Nordeste, e a jolókia, pela qual sou apaixonada (tem tanto sabor de fruta que é quase adocicada, apesar da picância potente), e que já esteve no topo da escala Scoville mas acabou perdendo o posto pra scorpion, a qual também, além de muito picante e saborosa, é linda (como uma ponta que lembra o ferrão de um escorpião), pena não ter encontrado uma para incluir na foto.
Aqui no quintal tenho a scotch bonnet, que produz muito, e dois pés ainda pequenos de jolókia e habanero chocolate, que estou esperando produzir!
capsicum-chinense-pimentas-jolokja-habanero-scotch-bonnet-bode-fidalga-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)

A polinização cruzada

Outra característica importante das pimentas é que a polinização cruzada entre as espécies e variedades gera novas variedades e altera as características (como a picância) de cada planta.
As pimentas possuem flores perfeitas — são bissexuais, possuem tanto estames (aparelho masculino), quanto estigma (aparelho feminino) — e a maioria das plantas autofecunda-se. Portanto, a polinização cruzada vaidepender da proximidade entre pimentas de diferentes espécies, que estejam na mesma época de floração, e de agentes polinizadores, principalmente insetos. A polinização artificial, feita pelos humanos, é fácil e não exige grandes tecnologias. Por isso vemos hoje uma grande variedade de pimentas, que não existiam até há pouco tempo.
flor-de-pimenta-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)
Agora um pouco de genética básica. A polinização cruzada irá produzir sementes com material genético misturado de duas pimentas de variedades diferentes, os frutos serão iguais aos da planta original, pois não houve mistura de cromossomos nas suas células. Só as células embrionárias das sementes terão a mistura genética. Ou seja, feita a polinização, os frutos daquela planta continuarão idênticos; as sementes, por sua vez, serão modificadas e trarão característica das duas variedades misturadas. Portanto, essa mistura de cromossomos nas sementes pode gerar uma planta oriunda de duas pimentas diferentes, ou seja, uma pimenta híbrida, a partir do plantio das sementes híbridas.
Mas, diferente do que nos ensinam nas aulas de Biologia na escola, as leis genéticas de Mendel — AA, Aa, ou aa — são exceção e não regra entre os seres vivos. Existem fenômenos como codominância, penetração variável da expressão gênica, salto de geração e interações multigênicas, que podem produzir frutos com expressão de características dominantes e recessivas, que não seguem as proporções simples das flores de ervilhas de Mendel. Tudo isso para dizer que uma espécie de pimenta híbrida pode surgir apenas após a 3ª geração, e uma determinada espécie híbrida pode germinar em meio a espécies não híbridas — ditas selvagens. Então, sem a mãozinha humana, o surgimento de uma nova espécie híbrida é bastante demorada e imprevisível.
Apesar de as pimentas pertencerem ao gênero Capsicum e, em tese, serem facilmente hibridizáveis, isso ocorre mais facilmente entre pimentas que pertençam aos mesmo complexo. As espécies de pimentas são divididas em basicamente 3 complexos: complexo anuum (C. galapagoense, C. chinenseC. frutescens e C. anuum),complexo baccatum (C. baccatumC. tovarii e C. praetermissum) e complexo eximium (C. eximiumC. pubescensC. cardenasii). Portanto, hibridizações entre espécies Capsicum do mesmo complexo — como a Jolókia, resultado da cruza de C. chinense com a C. frutescens —  serão fertéis e mais produtivas. Assim, existem polinizações cruzadas que podem gerar sementes esteréis ou que não produzam grande quantidade de frutos. Exatamente como a hibridização da égua com o jumento, que produz a mula, estéril.
Além da questão de polinização cruzada e hibridizações, que podem tornar uma pimenta pouco ardida em um maçarico que fura a língua, existe o fator de concentração de capsaicina nos frutos, que pode aumentar significativamente caso os pés de pimenta tenham recebido menos irrigação.
Ou seja, a escala Scoville é um guia, mas não é absoluta. Pimentas de uma variedade de ardência média — a dedo-de-moça, por exemplo — podem ser muito mais ardidas que o esperado pela escala, caso tenham se originado de um híbrido resultado da polinização cruzada com uma espécie mais ardida, ou ainda se foram menos irrigadas na fase de maturação dos frutos. Muitas vezes, apenas observar o fenótipo — características morfológicas — de uma pimenta não permite saber exatamente de que espécie se trata, selvagem ou híbrida.
Tudo isso pra dizer: se você quer garantir que a polinização cruzada não ocorra, e modifique a ardência e outras características da sua pimenta, deve plantá-las longe de outras plantas de outra espécie, ou no caso de produção comercial, plantá-las em estufas.

Classificação por picância e por aroma

Em geral as pimentas são classificadas pelo grau de picância de cada fruto. Para fazer essa classificação, o farmacêutico Wilbur Scoville criou uma tabela de picância das pimentas. Ele pegou uma pimenta pura, diluiu em água e açúcar e deu para provadores experimentarem; quanto mais água e açúcar era preciso para diluir a capsaicina daquela variedade, mais alta sua picância. Para facilitar a medida, foram criadas unidades de calor Scoville (Scoville heat units ou SHU): cada xícara de pimenta equivale a 1000 xícaras de água e corresponde a 1 unidade na escala de Scoville. Para se ter uma idéia, a capsaicina, quando pura, equivale a 15 milhões de unidades Scoville, e a pimenta dedo-de-moça (média picância) equivale de 5.000 a 15.000 unidades.
scala-scoville-capsicum-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)
Como já disse, eu particularmente entendo que a escala serve apenas como um norte sobre a picância de cada variedade, já que muito fatores interferem nessas características, tais como a polinização cruzada, as características de clima do terreno onde estão plantadas, a quantidade de irrigação e mesmo a resistência de cada indivíduo em relação à capsaicina.
Eu faço uma segunda classificação, e divido as variedades entre as que têm sabor neutro (que remete ao pimentão) e as de-cheiro, que têm sabor e aroma frutado e floral. A maior parte das pimentas-de-cheiro são da espécie chinense, não por acaso minha favorita!

Tudo se aproveita

Da pimenteira tudo se aproveita. Os talos são ótimos pra fazer espetos para churrasco (faço uma fraldinha maravilhosa com eles), e as folhas são deliciosas e ficam ótimas em saladas ou refogadinhas, eu curto colocar uma porção na sopa pra dar um toque especial!
capsicum-pimentas-folhas-comestiveis-(leticia-massula-para-cozinha-da-matilde)
Eu amo esse assunto e poderia ficar horas falando sobre essas lindezas, mas me dei conta que esse post aqui ficou enorme, e vou guardar um pouco pra outro dia!
E se você gostou, compartilha, e pode esperar que logo vem outro post só com minhas conservas e molhinhos favoritos!
Bom apetite!

Texto e imagens: Letícia Massula e Marcelo Pedro – Revisão: Valéria Pandjiarjian

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Gluten-Free : Como substituir farinhas com glúten?

Quero começar este post sendo sincera: eu consumo produtos com glúten e nunca será a minha intenção tirar o glúten da minha dieta – amo meu pãozinho francês do final de semana – mas, como várias pessoas me pedem receitas que não contenham glúten, achei válido explicar como vocês conseguirão trazer sabor à um pãozinho ou um bolo caseiro.

Antes de tudo, quero explicar o que seria o glúten: mesmo sendo chamado de vilão, ele nada mais é que uma proteína insolúvel composta por duas frações (glutelina e gliadina) e que, ao entrar em contato com a água, é hidratada formando uma rede ou malha fibrosa (o glúten). Em algumas receitas, como pão, o glúten é responsável pela elasticidade da massa e retenção da umidade, dando sabor e maciez.

Bem, como alguns já devem ter percebido, a maioria dos ingredientes com glúten possuem um sabor neutro e que, combinados com outros ingredientes, trazem harmonia no sabor final da receita. Ainda, esses ingredientes também são os responsáveis pela leveza e, em alguns casos, a maciez* do que você estará preparando. Ao substituir esses ingredientes sem conhecimento, a possibilidade da sua receita virar um “tijolo com sabor de terra” é altíssima, já que algumas substituições possuem um sabor forte e são grãos “pesadíssimos”.
*No caso dos pães, o glúten é um dos principais fatores de maciez. Para bolos, o glúten desenvolvido é um dos motivos que deixa o bolo pesado! 

Uma observação muito importante para este post: quais alimentos não possuem glúten?

gluten22

Veja as dicas abaixo para substituir a farinha de trigo por opções sem glúten!!

pães-gluten
Na substituição para fazer um pão sem glúten bom, a dica é misturar a farinha de arroz com outra sem glúten e que tenha um sabor marcante. A farinha de arroz é suave, fina e leve, porém sem graça ao ser usada sozinha. É usada como base para ajudar a dar maciez aos pães, porém a dica para um pãozinho gostoso é misturar com outra farinha feita à partir de algum grão saboroso.

Farinhas boas e com sabores marcantes: painço, quinoa, trigo-sarraceno ou de castanhas (amêndoas, avelã, castanha do pará etc.)

Se você fizer o pão sem usar a farinha de arroz como base, é provável que ele fique pesado – lembra do tijolo que falei?
bolos
Quando falamos de bolos, a farinha de arroz pode ser usada sozinha em várias receitas – como por ex. no bolo de chocolate -, mas misturada com uma farinha de amêndoas ou semolina fina de arroz, você vai ter sabores marcantes e consistências diferentes.

Bolos  que tenham claras batidas em neve (ex. bolo mármore), devem conter pouca farinha, resumindo em uma massa semi líquida


Ao fazer pães ou bolos sem glúten, cuidado no uso de fermentos!! Aconselho você sempre usar um fermento em pó sem glúten, uma vez que fermento químico pode conter traços de glúten. Outro ponto para ficar atento é: sempre olhe a composição das farinhas que você irá comprar. Algumas farinhas podem ter traços de outras em sua composição – se a moagem é feita no mesmo aparelho, você pode considerar a presença de glúten.

Fonte: http://www.limaocomalecrim.com.br/

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Ésika e L’Bel enchem os lábios de cor nesta primavera

As marcas Ésika e L’Bel também aderiram à moda dos lábios volumosos, que roubam o visual na maquiagem. De acordo com as tendências da primavera-verão 2016, os lábios devem ser preenchidos com tons de boca, e podem variar entre tons rosa e marrons, para oferecer um ar mais romântico.  
Para criar o clima perfeito, as marcas sugerem dois itens essenciais para obter esse efeito: batons e lápis para lábios, na época ideal para abusar das cores.

Ésika Delineador em lápis para lábiosComece sempre pelo contorno. O delineador em lápis permite um traço mais preciso e firme, torna o contorno dos lábios mais definido e diminui as chances de borrar a maquiagem – 1,1 g. À prova d’água.
Preço sugerido: 21,00 (cada um). 

Os batons preenchem e dão o toque final nos lábios. Também é interessante combinar as cores com o restante da maquiagem, para que ela não fique pesada demais. Se optar por destacar os lábios, use sombras com tons mais neutros. 

Ésika Batom HidratanteCom FPS 16, proporciona 24 horas de hidratação – 4 g.
Cor: Rosa Encanto
Preço sugerido: R$ 27,00. 

Ésika Batom AmacianteCom FPS 15, traz mais suavidade para os lábios – 4 g.
Cor: Marrón Tentación.Preço sugerido: R$ 25,00.


Ésika Batom de Longa DuraçãoCor duradoura, com aplicação suave – 4 g.
Cor: Rosa Fiorelle
Preço sugerido: R$ 27,00.

L’Bel Infini XPBatom de longa duração – 2 g.
Cores: Aster e Amandier.
Preço sugerido: R$ 48,00.

SAC: 0800-778-8992
Onde encontrarOs produtos das marcas L’Bel e Ésika podem ser adquiridos via consultores Belcorp, distribuídos em todo o País. Encontre o consultor mais próximo em www.esika.com.br,www.lbel.com.br ou www.facebook.com.br/esikabrasilwww.facebook.com.br/lbelbrasil
Os consumidores podem obter informações sobre estes produtos por meio do Serviço de Atendimento ao Cliente Belcorp Responde, pelo 0800-778-8992, ousac.belcorp@belcorp.biz.
Sobre ÉsikaA Ésika, uma das marcas da multinacional de cosméticos Belcorp, oferece uma explosão de fragrâncias e cores com seu mix variado de perfumes femininos e masculinos e suas linhas de maquiagem, com mais de 200 tons. O portfólio da marca ainda traz produtos para a mulher e toda a sua família, nas categorias de cuidados pessoais, cabelos, masculino, infantil e bebê. Conheça mais em www.esika.com.br e em facebook.com/esikabrasil.
Sobre a L’BelEspecialista no cuidado da pele, a L’Bel, uma das marcas da multinacional de cosméticos Belcorp, oferece um portfólio de alta tecnologia, com fórmulas e ativos de última geração, desenvolvidos em parceria com reconhecidos núcleos de pesquisa internacionais, como Laboratoires Serobiologiques e Exsymol. Além da completa linha de tratamento facial e corporal, possui sofisticadas opções de maquiagem, fragrâncias e cuidados pessoais. Conheça mais em www.lbel.com.br e em facebook.com/lbelbrasil.
Sobre a BelcorpHá mais de 45 anos na indústria cosmética, a multinacional Belcorp está entre as 15 maiores empresas de vendas diretas do mundo, e é a terceira na América Latina. Presente em 15 países nas Américas, o grupo detém três marcas de beleza − L’Bel, Ésika e Cyzone – e conta com uma equipe de 8,5 mil colaboradores e mais de 1 milhão de consultores independentes. Conheça mais em www.somosbelcorp.com.br

PALITINHOS CROCANTES DE ABOBRINHA


Óleo de coco 

1/2 xícara de migalhas de pão integral 

1/4 xícara de queijo parmesão ralado 

2 ovos batidos 

3 abobrinhas

Preaqueça o forno (220 graus C). Forre uma assadeira com papel alumínio e pincele o óleo.
Mexa migalhas de pão e queijo parmesão em uma tigela rasa. Bata os ovos em uma tigela rasa separada.
Mergulhe as tiras de abobrinha na mistura de ovo, agite para remover qualquer excesso e empane as tiras em mistura de miolo de pão. Transfira as abobrinha tiras para a assadeira preparada.
Coza em forno pré-aquecido, virando uma vez, até ficar dourado e crocante, de 20 a 24 minutos.
Dá pra fazer na #AirFryer (não testei).

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Crocantíssimo traz uma deliciosa experiência de boteco para dentro da sua casa


Disponível por tempo limitado, a linha Crocantíssimo Sabores de Boteco estará presente em todo o país, proporcionando uma experiência única e diferenciada ao consumidor que aprecia um snack de qualidade e um momento de descontração com os amigos
 
Crocantíssimo, marca do Grupo Bimbo - líder no mercado de panificados e com mais de 60 anos de tradição -, inova, mais uma vez, com uma proposta nunca antes abordada pela categoria ao explorar um momento do dia bastante festivo e cultivado pelos brasileiros: o Happy Hour. A edição limitada Crocantíssimo Sabores de Boteco tem como objetivo conquistar os consumidores por meio de três aperitivos muito conhecidos e apreciados pelos frequentadores assíduos desses estabelecimentos: Azeitona Temperada, Salaminho com Limão e Picanha com Alho. Já deu água na boca!

Em embalagens coloridas e cintilantes, os novos sabores chegam para complementar o portfólio da marca e propõe um conceito inovador: uma deliciosa experiência de boteco dentro ou fora de casa, sozinho ou com os amigos.

 
Crocantíssimo Sabores de Boteco Azeitona Temperada, como o próprio nome já diz, faz referência às porções de azeitonas, aperitivo tradicional do cardápio de qualquer botequim, seja na Lapa carioca ou no Pelourinho soteropolitano. O snack é um ótimo acompanhamento para aquele drink gostoso no fim de tarde com os amigos. É opção certa e garantida!

 





Já o Crocantíssimo Sabores de Boteco Salaminho com Limão traz o inconfundível sabor de uma porção de salame com um delicioso toque do limão. Sabor indispensável em todo boteco que se preze.


 





Crocantíssimo Sabores de Boteco Picanha com Alho possui um sabor marcante e único. O alho dá o toque especial a um dos pratos de boteco favoritos dos brasileiros, a picanha no réchaud.



A linha Crocantíssimo Sabores de Boteco estará disponível em embalagem de 45 gramas e poderá ser encontrada até outubro nos principais supermercados, padarias e lojas de conveniência de todo o Brasil.

Crocantíssimo Sabores de Boteco:
Preço sugerido: R$ 1,69

SAC Bimbo: 0800 702 46 26
facebook.com/CrocantissimoOficial